Se tem uma coisa que foi capaz de marcar a minha infância,
chama-se bicicleta. Lembro- me de minha primeira bike, uma pequenina Caloi
verde escura para crianças. Assim que aprendi a andar em uma pracinha na Vila
Mariana, meu pai arrancou as rodinhas e fomos para o Ibirapuera. Aliás, isso se
repetiu por centenas de vezes. O Ibirapuera era o meu palácio da liberdade,
como aquele lugar me passava a sensação de ser livre.
Os anos passaram, outras bikes vieram e se foram. Me recordo
que a melhor que tive até hoje era uma moutain bike da Caloi inteira de
alumínio, com 21 marchas e um câmbio extretamente rápido e preciso. Foi uma das
primeiras coisas que comprei com meu próprio trabalho, aos 14 anos de idade. Paguei
em parcelas que ocupavam quase metade do meu salário de “Polícia Mirim”. Cuidava
dela como ninguém, lavava, encerava, regulava, comprava acessórios e tudo o que
ela tinha direito.
Mas um dia experimentei algo com que não pude resistir e me
render. Aos 15 anos aprendi a andar de moto. Uma Honda Dream de 100 cilindradas
de um colega de trabalho. Poucos meses depois dei um jeito de comprar a minha e
não me separava de jeito nenhum. Até para ir à padaria que ficava há menos de
100 metros de casa, eu ia de moto. A Caloi foi ficando lá, cada vez mais
encostada, empoeirada e sem manutenção. Os pneus murcharam e chegaram a colar
no chão. Até que um belo dia resolvi me desfazer dela já que com a Dream o meu
status estava melhor dentre os colegas.
Vendi minha melhor bike e logo também troquei a dream por
uma Honda Biz azul, acho que o ano dela era 2003. Um anos e passou e sofri o
meu primeiro acidente, afinal um motor de 100 cilindradas pode te presentear a
qualquer instante, principalmente no trânsito de Jaú. Cidade na qual eu passei
a morar desde 1997. Acabei com moto e com uma Ford Pampa que quase rasguei ao
meio. Por milagre o máximo que me aconteceu foram alguns arranhões e uma calça
rasgada. Concertei a Biz e passei pra frente. Com o dinheiro dei uma entrada no
meu primeiro carro, o Voyage 95 branco ambulância.
Novamente os anos passaram fiquei quase 5 anos com o Voyage
até que resolvi me dar ao luxo de trocar de carro, troquei pelo o carro que
tenho até hoje. Estamos em 2012, eu vejo que desde a venda da Moutain Bike até aqui são quase 10
anos. E eu não consigo caminhar ao menos 100 metros sem ficar ofegante, não tenho mais saco
para praticar exercícios físicos e por isso resolvi tentar deixar o
sedentarismo com a ajuda de uma velha amiga: a bicicleta. Vou registrar
aqui os próximos passos em busca de uma vida mais saudável e menos motorizada.
Sinto que essa é a tendência os carros já são um transtorno
nas grandes cidades, poluem, ficam presos em engarrafamentos, tem impostos caros,
o combustível é caro e você está arriscado a alguém te matar por eles. Não
acredito mais que seja algo que valha a pena, mas ao mesmo tempo não me vejo
sem o meu. O meu plano é tentar andar a pé e de bike o máximo possível durante
a semana, e se nos finais de semana eu precisar ir em algum lugar ou evento eu
vou de carro.
Dentre as certezas estão a de que economizarei uma boa
quantia em dinheiro, vou recuperar um pouco do condicionamento físico que não
tenho, vou ganhar alguns músculos na perna e acho que vou poder dizer que me
sinto bem com tudo isso. Aqui você poderá acompanhar cada um dos meus passos
para TENTAR deixar o sedentarismo, o conformismo, a preguiça em busca de algo
simples e prazeroso.
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