Em 2009 eu comprei uma bike nova. Uma
"Track Bike' inteira de alumínio, com 18 marchas, modesta mas suficiente para meus anseios. Usei ela umas três ou quatro vezes, pois o bicicleteiro
que regulou ela da primeira vez, o fez porcamente. Certo dia eu fui andar pelas
estradas de terra de Jaú e o meu pé-de-vela se soltou. Pronto! Era a desculpa
que eu precisava para largar a bike e voltar para o aconchego do sedentarismo.
Com uma alimentação relaxada, sem exercícios físicos eu estava feito um pão no forno: crescendo para tudo o que é lado.
Desde 2009 a magrela ficou lá em um canto do “quartinho da
bagunça” na casa de minha mãe. Eis que um dia desses eu fui à banca e me
deparei com a Revista Vida Simples. Era uma edição especial que falava só sobre
Bicicletas e o hábito de andar de magrela, não como uma obrigação de exercícios
físicos, mas como um estilo de vida. Algo de quem quer deixar a mesmice dos
carros, trânsito e adotar um estilo novo gratuito e que de quebra ainda faz
muito bem à saúde.
Acho que esse foi o estopim para eu mandar a bike para o bicicleteiro
e tentar por a mão na massa. Quer dizer, no guidom. A bicicleta voltou
reguladinha e pronta pra guerra e então resolvi por em ação o verbo TENTAR.
Afinal de contas, essas coisas tem que fluir naturalmente, não se deve forçar. De
cara percebi que para um sedentário como eu, em um primeiro momento a bicicleta
é um teste de força de vontade. A primeira rua com uma subida mais íngreme já
colocou a prova toda a minha motivação.
Sucumbi, confesso que dos 200 metros de subida pedalei
metade em marcha pesada e estava indo bem. Mas a falta de prática, as teias de
aranha, e a preguiça e conformismo ainda são coisas que estão enraizadas em
mim. Mesmo assim a segunda lição da magrela não demorou a vir e desta vez foi
boa. A subida era uma das ruas principais do meu bairro e à esquerda há várias
ruas paralelas. Todas com um leve grau de inclinação.
Eis a lição, era bike me pedindo pra virar e curtir uns 200
metros de descida. Deu até tempo de se recompor tomar uma água na garrafinha e
se concentrar para subir a rua seguinte. E assim foi. Eu andei o bairro todo em
zigue e zague, alternando subidas e descidas, esforço e descanso. Ainda não
comprei um velocímetro, mas pelos meus cálculos eu devo ter percorrido o
modesto percurso de quatro ou cinco quilômetros. Uma vitória para um músico,
jornalista e sedentário de carreira.
Essa foi a minha experiência depois de tanto tempo sem por o
verbo agir em AÇÃO. Gostei, a próxima volta vou ousar um pouco mais e relatar
aqui.

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